A Primeira Casa do FCP

em Lisboa

CASA Nº

00

 

Em respeito pelo passado e para memória futura

 

 

Esta página é uma simples e sentida homenagem ao meu Pai e a outros grandes PORTISTAS fundadores e associados da Primeira Casa do Futebol Clube do Porto em Lisboa, alguns dos quais o tempo se encarregou de desvanecer os seus nomes da minha então tenra memória.

Por ter sido a primeira Casa do FCP fora da cidade do Porto a iniciativa mereceu o acolhimento dos então Dirigentes do Clube, nomeadamente do seu antigo Presidente  Dr. Urgel Horta, que louvou e agradeceu o esforço e contributo dos seus fundadores, honrando com a sua presença diversos actos públicos da Casa.

 

 

A Casa, então situada nas águas furtadas de um palacete demolido por volta de 1967, no mesmo canto Sueste da Praça Marquês de Pombal onde ainda hoje se encontra outro edifício emblemático da cidade de Lisboa, actual sede do Instituto Camões, veio a desaparecer alguns anos depois da sua fundação devido a vicissitudes várias. Coexistia, nesse mesmo edifício, com a então Casa do Distrito do Porto, onde nos anos quarenta e cinquenta do século passado se reuniam escritores, pensadores e artistas - como Ferreira de Andrade, Guimarães Dias, Adelina Ramos, Estevão Amarante  - em animadas palestras, conferências e jantares.

A referida Casa do FCP em Lisboa que se encontrava activa em Novembro de 1953, isto é bem depois do Estádio das Antas ter sido inaugurado em 28 de Maio do ano anterior, conforme se constata numa carta nessa data dirigida pelo seu Presidente ao meu Pai, veio a desaparecer posteriormente a 1955. Coincide, pois, o início da sua existência com o segundo mandato do Dr. Urgel Horta como Presidente do FCP (1951-1954).

Durante o período em que funcionou - e socorrendo-me sobretudo da minha memória como fonte da informação que aqui deixo - criou a sua própria estrutura administrativa, emitiu cartões de associado, organizou excursões de acompanhamento aos maiores eventos futebolísticos em diversas cidades (Porto, Évora, Setúbal), apoiou a equipa de futebol nas suas estadias em Lisboa no Hotel Suiço-Atlântico e participou com a sua bandeira, em representação do FCP, nos desfiles então “organizados” pelas Colectividades de Cultura e Recreio de apoio ao Estado Novo, junto da Assembleia Nacional, em S. Bento. A tal não seria eventualmente estranho o facto do Dr. Urgel Horta ter sido Deputado à Assembleia Nacional.

Este movimento e projecto pioneiro não esteve na génese dos actuais Dragões de Lisboa (reconhecida pelo Clube como Casa nº1), a qual reiniciou, cerca de vinte anos mais tarde e de forma autónoma, idêntico

movimento aglutinador dos PORTISTAS da capital do País. Foi, assim, o primeiro movimento deste tipo e de intenso fervor clubístico a surgir em Lisboa no pós-guerra.

Daí me ter permitido atribuír nesta página a designação de Casa nº 00 àquela que, sendo de certo modo premonitória dos tempos futuros, foi fundada, exerceu a sua actividade e representou o FCP em diversos actos oficiais nesse dealbar da década de 50 do século passado na cidade de Lisboa, devido essencialmente ao empenho espontâneo de um punhado de PORTISTAS da Capital que pugnavam de forma desapegada pelo prestígio e expansão do Clube no  Sul do País.

Foram seus Presidentes, António Cândido Gouveia e António da Silva, e das suas Direcções fizeram parte, entre outros, associados como Serafim de Araújo (meu pai, já falecido e ex-funcionário do Fomento Nacional da Indústria e da Fiat Portuguesa, e avô paterno de Sérgio Alexandre Bento de Araújo, fundador em 2007 dos Dragões da TAP, primeira Casa virtual do FCP reconhecida pelo Clube), Manuel Trindade Bessa (já falecido, com última residência conhecida em Vila Real de Santo António para onde migrou após se reformar da empresa C. J. Michaëlis de Vasconcelos e onde existe descendência) e Delfim Alves Martins (ex-encarregado de balcão da Pastelaria Suiça e, mais tarde, Gerente da recém inaugurada Pastelaria Pão de Açúcar, na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa),

De referir, ainda, que o nascimento desta Casa em Lisboa (onde então apenas existia com vínculo ao Clube o Futebol Clube de Lisboa na Rua de S. Tomé, à Mouraria, ainda hoje Filial do FCP), foi apadrinhado pela Casa do Distrito do Porto, uma associação regional local também então existente e onde se realizavam frequentes convívios conforme aquele que é documentado nas fotografias anexas.

Oeiras, Abril de 2011

Sócio FCP nº . 464

Sócio Os Dragões de Lisboa nº. 1611

Sócio Dragões da TAP nº. 11

O meu cartão de Sócio

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